Caso Benício: Conselho Regional de Medicina abre processos contra profissionais envolvidos após indícios de falhas
29/05/2026
(Foto: Reprodução) Benício Xavier de Freitas, de 6 anos, faleceu em hospital de Manaus.
Arquivo pessoal
O Conselho Regional de Medicina do Amazonas (Cremam) concluiu a sindicância que apurou a conduta dos profissionais envolvidos no atendimento de Benício Xavier, de 6 anos, e identificou indícios de irregularidades e falhas médicas em diferentes etapas da assistência prestada à criança. Os médicos investigados passarão a responder a processos ético-profissionais. A decisão cabe recurso.
Benício morreu em 23 de novembro, após receber adrenalina na veia durante atendimento hospitalar. De acordo com a investigação, a via e a dosagem prescritas não eram indicadas para o quadro clínico da criança. Após a aplicação, o menino sofreu múltiplas paradas cardíacas e não resistiu.
A informação da conclusão da sindicância foi divulgada pela defesa da família de Benício. O g1 solicitou um posicionamento do Cremam sobre a conclusão da sindicância. O Conselho informou que o procedimento tramita sob sigilo processual e que está "legalmente impedido de divulgar informações, documentos, nomes ou qualquer manifestação sobre o mérito dos fatos objeto de apuração".
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Segundo o advogado Ricardo Albuquerque, que representa a família de Benício Xavier, a sindicância apontou possíveis infrações éticas cometidas por profissionais que atuaram tanto no pronto-socorro quanto na Unidade de Terapia Intensiva (UTI).
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De acordo com Albuquerque, além dos médicos diretamente responsáveis pelo atendimento, também foram abertos processos contra profissionais ligados à coordenação da pediatria e à diretoria clínica do hospital.
“Foi aberto também processo contra médicos em função da Coordenação da Pediatria e Diretoria Clínica do Hospital, e até médico que deveria ter atuado no caso, mas não o fez”, disse.
O advogado destacou que a conclusão da sindicância não representa uma condenação dos profissionais, mas o reconhecimento da existência de elementos suficientes para a abertura dos processos éticos.
“O julgamento da sindicância diz respeito a indícios de infração ética. Agora os médicos irão responder a processo ético-profissional, mas ainda há a possibilidade de recurso da abertura do processo ético”, explicou.
Para a defesa da família, o resultado da sindicância reforça os questionamentos apresentados desde o início das investigações.
“Nós vemos com muita satisfação o julgamento da sindicância, pois fizemos também uma denúncia ao conselho pedindo a abertura de sindicância e posterior processo ético-profissional, já que há indícios graves de erros médicos ao longo de todo o atendimento do Benício”, afirmou Ricardo Albuquerque.
O g1 tenta contato com o Hospital Santa Júlia para questionar o posicionamento sobre a conclusão da sindicância e se os profissionais investigados seguem atuando na unidade.
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Família cobra rigor nas apurações
Pai de Benício, Bruno Xavier disse esperar que o conselho conduza o caso com imparcialidade e rigor. Segundo ele, sete médicos serão investigados internamente pelo órgão.
“Eu e a Joyce buscamos uma total imparcialidade do CRM. A gente busca que eles trabalhem com muita ética contra os profissionais que forem envolvidos”, declarou.
Bruno afirmou que a família espera punições severas aos responsáveis caso as irregularidades sejam comprovadas.
“A gente quer, no mínimo, dois culpados à cassação. É isso que a gente busca e espera que, pelo Benício, eles mostrem para a sociedade que não são corporativistas, que prezam pela verdade e pelo julgamento certo”, disse.
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Reprodução/TV Globo
Ainda segundo o pai, a família deposita confiança no trabalho do conselho e aguarda a conclusão dos processos ético-profissionais.
“A gente conta muito com o apoio deles e quer, no mínimo, a cassação de quem ocasionou a morte do nosso filho”, afirmou.
O caso segue sob análise do Cremam, que agora dará continuidade aos processos ético-profissionais para apurar a responsabilidade dos médicos citados na sindicância.
O caso
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Segundo o pai, Bruno Freitas, o menino foi levado ao hospital com tosse seca e suspeita de laringite. Ele contou que a médica prescreveu lavagem nasal, soro, xarope e três doses de adrenalina intravenosa, 3 ml a cada 30 minutos.
A família disse ao g1 que chegou a questionar a técnica de enfermagem ao ver a prescrição. De acordo com Bruno, logo após a primeira aplicação, Benício apresentou piora súbita.
“Meu filho nunca tinha tomado adrenalina pela veia, só por nebulização. Nós perguntamos, e a técnica disse que também nunca tinha aplicado por via intravenosa. Falou que estava na prescrição e que ela ia fazer”, relatou o pai.
Após a reação, a equipe levou a criança para a sala vermelha, onde o quadro se agravou. A oxigenação caiu para cerca de 75%, e uma segunda médica foi acionada para iniciar o monitoramento cardíaco. Pouco depois, foi solicitado um leito de UTI, e Benício foi transferido no início da noite de sábado.
Na UTI, segundo o pai, o quadro piorou. A equipe informou que seria necessária a intubação, realizada por volta das 23h. Durante o procedimento, o menino sofreu as primeiras paradas cardíacas.
O pai relatou que o sangramento ocorreu porque a criança vomitou durante a intubação. Após as primeiras paradas, o estado de Benício continuou instável, com oscilações rápidas na oxigenação. Minutos depois, Benício apresentou nova piora e não respondeu às manobras de reanimação. Ele morreu às 2h55 do domingo.
“Queremos justiça pelo Benício e que nenhuma outra família passe pelo que estamos vivendo. O que a gente quer é que isso nunca mais aconteça. Não desejamos essa dor para ninguém”, disse o pai.
Em nota, o Hospital Santa Júlia informou que uma médica e uma técnica de enfermagem foram afastadas de suas funções e realizou uma investigação interna pela Comissão de Óbito e Segurança do Paciente.
Infográfico - Caso Benício
Arte g1